Escrito por Felipe Barrili

É como se fosse a primeira vez.
As angústias, aflições. Parece que o mundo está de novo me colocando à prova. Esperar um segundo filho tem sido algo tão diferente quanto foi com o primeiro.
Tenho que melhorar meus defeitos e aprimorar o que tenho de bom. Cuidar de minha esposa e saber que ela já carrega uma dor. Eu também carrego, mas ela gerou Benício, dor essa insuperável e que ela sente todos os dias de sua vida. Não há palavras que diminua essa agonia nela. O que mais posso fazer é ficar próximo e cuidá-la. Tomar posse das minhas obrigações. Tenho lhe feito o almoço e o jantar com todo amor (participo do desenvolvimento alimentando o bebê, kkk), evito ao máximo que ela se esforce. Mas eu também tenho meus medos e não posso deixar a atingir, ela está num momento muito delicado. Vocês não fazem ideia do quanto essa mulher é forte. Quero de todas as maneiras poder ajuda-la. Quero somente que ela desfrute os momentos e que tenha uma boa gestação.
As inseguranças. Parece que tudo volta a se repetir, mas como se fosse a primeira vez, já que não tive tempo para exercer todas as minhas qualidades de pai. O medo parece aumentar. Eu fiz o que consegui, tentei salvá-lo. Soprei forte em seus pulmões enquanto desfalecia no centro da cidade. Corri o mais rápido que era capaz. Entreguei-o a salvo para os médicos... Parece que foi só um treinamento com Benício. O qual eu não queria. Queria que fosse pra valer, pra saber dar continuidade à família. Estou confuso.
Contudo, estou feliz e esperançoso. Esse filho que ela carrega no ventre tem um significado todo especial. Sei que a gravidez é mais relacionada a mãe, mas eu me sinto grávido também (risos). Eu a amo e me felicito por tudo que ela faz por mim. Espero proporcionar pra esse bebê tudo de melhor. Tudo que há nessa vida. Algo que eu não pude ter com o meu pai desde que ele partiu, nem com meu primeiro filho. Quero que ele seja um ser excepcional. Que Deus nos ajude.